Dom JOÃO V - (22.10.1689-31.3.1750)
João Francisco António José Bento Bernardo de Bragança. Filho de D. Pedro II e de sua segunda mulher D. Maria Sofia de Neuburg. Casou em 9 de junho de 1708 com D. Mariana de Áustria (Linz, 7 de setembro de 1683 † Palácio de Belém, 14 de agosto de 1754).
Reinou no período compreendido entre 1706 e 1750. Foi o derradeiro monarca português ciente da tradição milenarista nacional, como testemunham inúmeros dos seus atos e opções. A divisão de Lisboa em doze bairros e estes em dois hemisférios, Oriental e Ocidental, à semelhança de Roma (1716), a criação da Igreja Patriarcal de Lisboa (1716), a Real Obra de Mafra (1717) e o Aqueduto das Águas Livres constituem o corolário de tal visionarismo Iluminado.
REAL OBRA DE MAFRA
1711
Alvará de D. João V, declara que “por justos motivos” decidiu edificar um mosteiro destinado aos arrábidos, junto à Vila de Mafra.
1712
Finais - A divergência quanto ao local onde edificar a Real Obra, faz D. João V deslocar-se do Paço de Sintra a Mafra, para examinar o terreno, decidindo-se pelo sítio denominado da Vela, a nascente da vila e a 234 metros de altitude.
1717
Novembro 17 – Colocação da primeira pedra da Real Obra de Mafra, com a presença da Família Real, Corte, do Patriarca de Lisboa e respetivo séquito, um padre da Companhia de Jesus, um Provincial e 66 religiosos da Província da Arrábida, párocos, clérigos, corregedor, juiz e vereadores do concelho, organistas, músicos, cantores, forças de cavalaria e infantaria. "Gastaram-se nesta festa 80 000 réis. El-Rei deu neste dia jantar a todo o povo e à tropa" (Conceição Gomes, 1894, p. 75).
1722
Dezembro 10 - A Gazeta de Lisboa noticia a visita de D. João V às obras de Mafra, na 5ª feira anterior.
1725
O botânico Merveilleux informa que está em curso a demolição do 2º projeto da Real Obra.
1727
Demolido o edificado do 3º projeto, o Magnânimo manda erguer o 4º e definitivo projeto da Real Obra, entregando a Custódio Vieira a direção dos trabalhos.
1730
Outubro 22 a 29 – Oitavário da Sagração da Basílica de Mafra. As cerimónias iniciam-se no dia 22, 41º aniversário de D. João V, oficiadas pelo Patriarca de Lisboa, sendo o templo dedicado à Santíssima Virgem e a Santo António. As solenidades prolongar-se-iam por uma semana, concluindo a 29 de outubro. Além da Família Real, assistem diversos cavalheiros que acompanham o Rei por obrigação dos seus Ministérios, outros que integram a Corte, a Corte eclesiástica, membros da Cúria Patriarcal, cónegos presbíteros, a Corte Regular, religiosos que não têm Províncias no Reino e outros das oito Províncias Seráficas do Reino.
Dona Maria Ana de Áustria (Linz, 7.9.1683-Lisboa 14.8.1754)
Casou com D. João V em 9 de junho de 1708.
Do casamento nasceram os seguintes filhos:
D. Maria Bárbara Xavier Leonor Teresa Antónia Josefa (Lisboa, 4.12.1711 † Madrid, 27.8.1758)
D. Pedro (Lisboa, 19.10.1712 † 29.10.1714)
D. José, que sucedeu no trono (6.6.1714 † 24.2.1777)
D. Carlos (Lisboa 2.5.1716 † 30.3.1720)
D. Pedro Clemente Francisco José António, mais tarde D. Pedro III, pelo casamento com sua sobrinha D. Maria I (Lisboa, 5.7.1717 † Palácio da Ajuda, 25.5.1786)
D. Alexandre Francisco José António Nicolau (Lisboa, 24.9.1723 † 2.8.1728)
D. João V teve ainda os seguintes filhos naturais (ilegítimos):
D. António (Lisboa, 1.10.1704 † 14.8.1800), filho de D. Luísa Inês Antónia Machado
D. Gaspar (Lisboa, 8.10.1716 † Braga 18.1.1789), filho de D. Madalena Máxima da Silva Miranda Henriques
D. José (Lisboa, 8.9.1720 † 31.7.1801), filho da Madre Paula Teresa da Silva (conhecidos como Meninos de Palhavã por terem sido criados no Palácio do mesmo nome)
D. Maria Rita, que nasceu e morreu em data ignorada, filha de D. Luísa Clara de Portugal
CARRILHÕES
É um dado adquirido que o primeiro carrilhão de teclado foi o construído pela Casa Consistorial de Alost (Bélgica), por volta do ano 1487, seguindo-se-lhe os das cidades de Dunquerque, Cambrai, Dijón, etc. Quanto a Portugal escasseiam as notícias que possam esclarecer com exatidão desde quando existem. Em qualquer caso, nunca nenhum carrilhão atingiu a importância que os de Mafra viriam a assumir, especialmente porque D. João V não só adquiriu dois jogos completos, mas também por se tratar dos mais pesados de que há registo. A sua instalação iniciou-se alguns meses antes da Sagração da Basílica, a 22 de outubro de 1730, pelo que, na cerimónia, apenas foi utilizado o instrumento da Torre Norte e, mesmo assim, incompleto, pois nem todos os sinos haviam chegado.
A qualidade sonora dos 46 sinos do Carrilhão Sul é muito superior ao temperamento dos 44 do Norte. Aqueles foram fundidos em Antuérpia por Willem Witlockx, conforme a inscrição que ostentam: "GUILHELMUS WITHLOCKX ME FECIT ANTUERPIA ANNO DOMINI MDCCXXX". Os do Carrilhão Norte são obra do fundidor de Liège, Nicolau Levache, atestada pela legenda: "NICOLAUS LEVACHE LEODIENSIS ME FECIT ANNO DOMINI MDCCXXX".
Antes de serem conduzidos a Mafra, os sinos foram consagrados pelo Patriarca de Lisboa, em Santo Antão do Tojal, local onde haviam sido desembarcados. O complexo cerimonial envolveu, como determinava a praxe litúrgica, a bênção, o batismo, a unção com atribuição de patronímicos, a fumigação com incenso e a leitura do Evangelho de S. Lucas, na passagem que descreve a Visita de Jesus a Marta e Maria (X, 38-42).