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Dom JOÃO VI - (13.4.1767-10.3.1826)

D. João Maria José Francisco Xavier de Paula Luís António Domingos Rafael de Bragança. Filho de D. Maria I e de D. Pedro III. Casou a 8 de maio de 1785 com D. Carlota Joaquina, nascida em Aranjuez a 25 de abril de 1775, falecendo no Palácio de Queluz a 7 de janeiro de 1830. Como não se supunha que viesse a tornar-se rei, nunca lhe prestaram grande atenção. Os epítetos populares são esclarecedores quanto à sua bonomia, que, de resto, fez dele um soberano amado pelos seus vassalos: El-Rei-o-Nada; Caconso; Bonacheirão; Beato (adorava festas de igreja, figurou de juiz em algumas, aprendeu cantochão). Tornou-se Regente em consequência do ensandecimento materno (1791), cabendo-lhe a decisão de transferir a Corte para o Brasil (1807) para evitar cair refém de Napoleão, como sucedera com a Corte espanhola. Por morte de D. Maria I, foi aclamado Rei, no Rio de Janeiro, a 6 de fevereiro de 1818. Dotado de espírito de economia (aprendida com os frades e os saloios), esperto (Herculano classifica a sua esperteza de saloia), irónico, brejeiro e melancólico (em Mafra, “os saloios morriam pelo Infante, convidavam-no para padrinho de seus filhos”; “as saloias que cultivava, ainda por cima lhe ofereciam galinhas gordas”).

Escreveu a este propósito Francisco de Carvalho Brito Gorjão:
“[…] D. João VI tinha grandes simpatias populares em Mafra, onde gostava de estar: lembro-me de meu Pai me contar também, que era criança quando D. João VI veio a primeira vez a Mafra, depois de voltar do Brasil, mas que nunca se esqueceria do extraordinário entusiasmo com que foi recebido, chorando o povo e as mulheres com as crianças ao colo, quando ele passou na caleça, puxada pelos seus leais súbditos, que haviam tirado as mulas para gloriosamente as substituírem! Três anos após consumado o matrimónio (1790), o Príncipe D. João aturava com dificuldade a esposa, deixando-a em completa liberdade. Dizia-se na época que “nunca tinha havido em Portugal rei tão mal casado, nem corte tão bem casada”. Diz a tradição que D. João VI era um bom gastrónomo.

Dona CARLOTA JOAQUINA
(25.4.1775-7.1.1830)

Infanta de Espanha, filha de Carlos IV, Príncipe das Astúrias, e Dona Maria Luísa Teresa de Parma. Casou aos 10 anos de idade com o então Infante Dom João, filho de Dona Maria I, depois Regente em nome desta (1792) e, finalmente, aclamado como Dom João VI.

Intriguista, por natureza, gizou, em 1806, com a conivência de alguns nobres, designadamente o Marquês de Ponte de Lima, uma conjura para destronar o Regente, seu marido, a qual ficaria conhecida para a posteridade como a Conspiração de Mafra (Bróculos com chocolate). Quando a Família Real se refugiou no Brasil, em 1808, havia de alimentar uma intriga destinada a tornar-se rainha das colónias espanholas, visto que o irmão fora obrigado a abdicar a favor de um pretendente apoiado por Napoleão. Uma vez regressada a Lisboa, em 1821, recusar-se-ia a jurar a Constituição, conspirando com o filho Dom Miguel para a tomada do trono, mesmo após a morte de Dom João VI, em 1826, tornando-se responsável pela guerra civil que havia de opor os partidos do herdeiro legítimo, Dom Pedro, e de Dom Miguel, seu preferido.

D. António Pio (1795-1801) – príncipe da Beira, morreu criança.
D. Maria Isabel Francisca de Assis Antónia Carlota Joana Josefa Xavier de Paula Micaela Rafaela Isabel Gonzaga (19.5.1797-29.11.1818) - rainha de Espanha, casada, em 6.9.1816, com o tio materno, D. Fernando VII, rei de Espanha.
D. Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim (12.10.1798-24.9.1834) - D. Pedro I, Imperador do Brasil (1822-1831) e Rei de Portugal (1826).
D. Maria Francisca de Assis da Maternidade Xavier de Paula e de Alcântara Antónia Joaquina Gonzaga Carlota Mónica Senhorinha Soter e Cacia (22.4.1800-4.9.1834) - Casou, em 6.9.1816, com o tio materno, D. Carlos Maria Isidro.
D. Isabel Maria da Conceição Joana Gualberta Ana Francisca de Assis Xavier de Paula de Alcântara Antónia Rafaela Micaela Gabriela Joaquina Gonzaga de Bragança e Bourbon (1801-1876) – regente constitucional.
D. Miguel Maria do Patrocínio João Carlos Francisco de Assis Xavier de Paula Pedro de Alcântara António Rafael Gabriel Joaquim José Gonzaga Evaristo de Bragança (26.10.1802-1866) - alegado filho do marquês de Marialva, D. Pedro.
D. Maria da Assunção Ana Joana Josefa Luísa Gonzaga Francisca de Assis Xavier de Paula Joaquina Antónia de Santiago (1805-1834).
D. Ana de Jesus Maria (1806-1857) – Infanta Saloia, alegada filha de João dos Santos, almoxarife da Quinta do Ramalhão – a predileta da mãe.

ÓRGÃOS
O órgão, adotado pela piedade barroca como instrumento príncipe, suscetível, como poucos, de potenciar as virtualidades da liturgia, do ritual e da pompa e circunstância, não poderia deixar indiferente o Magnânimo. Ao dotar a Basílica de Mafra com seis órgãos, o monarca português transformou o Santuário da *Nova Jerusalém num local impar, de facto, o único em todo o orbe ao qual assiste o privilégio de arrebatar as almas sensíveis ao Empíreo, mediante tamanha massa sonora. Na cerimónia do lançamento da Primeira Pedra (*Pedra Fundamental) do Monumento de Mafra (17.11.1717) participaram um organista e diversos outros músicos.

Os órgãos da Basílica de Mafra eram geralmente usados em conjugação com cantochão, conforme se infere dos Acompanhamentos de missas, sequencias, hymnos, e mais cantochaõ, que he uso, e costume acompanharem os Orgãos da Real Basilica de Nossa Senhora, e Santo António, junto á Villa de Mafra, com os transportes, e armonia, pelo modo mais conveniente, para o Côro da mesma Real Basílica (Lisboa, 1761), da autoria de Frei José de Santo António, primeiro Organista e Mestre de Música no Real Convento de Mafra.

A substituição dos órgãos joaninos da Basílica de Mafra iniciou-se em Agosto de 1792, tendo sido encarregado da tarefa o organeiro António Xavier Machado e Cerveira, meio-irmão de Machado de Castro e administrador dos Reais Órgãos de Mafra. As caixas dos órgãos, do Evangelho (Norte) e da Epístola (Sul), os dois mais importantes do conjunto, formado pelos seis existentes na Basílica, foram construídos em pau-santo do Brasil, entre 1799 e 1806. Lord Byron considerou-os "os mais belos do seu conhecimento".