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Dom JOSÉ I - (6.6.1714-24.2.1777)

José Francisco António Inácio Norberto Agostinho de Bragança. Filho de D. João V e D. Maria Ana de Áustria. Faleceu no Palácio da Ajuda a 24 de fevereiro de 1777. Casou a 19 de janeiro de 1729 com D. Mariana Vitória, nascida em Madrid a 31 de março de 1718, tendo falecido a 15 de janeiro de 1781 no Palácio da Ajuda. Enquanto reinou, não foi visitante muito assíduo de Mafra. Numa curta estadia de 3 a 8 de outubro de 1750, veio com o propósito de participar na festa anual em honra de S. Francisco (padroeiro dos religiosos que então ocupavam o convento de Santo António) e caçar na Tapada. Consta que também terá visitado a Quinta do Visconde de Vila Nova de Cerveira (Ponte de Lima). Os cónegos regrantes, cuja instalação no Convento de Santo António, em detrimento dos arrábidos, sancionou, encetaram a construção da Biblioteca conventual na dependência que D. João V reservara para Sala do Trono. Deve-se-lhe, ainda, a criação da Escola de Escultura de Mafra, cuja direção entregou a Alessandro Giusti (1753).

Dona MARIANA VITÓRIA DE BOURBON
(Madrid, 31.3.1718-Lisboa, 15.1.1781)
Filha de Filipe V, de Espanha. Casou com D. José I em 1729.

CASA DA LIVRARIA
O salão da Casa da Livraria do Palácio Nacional de Mafra, a mais vasta dependência da Real Obra, já era, em 1828, “geralmente reconhecida pela melhor da Europa” consoante o parecer de Frei João de Santa Ana. Primitivamente destinada a albergar a Sala do Trono, jamais concretizada, em consequência da prolongada doença que afligiu *D. João V e o afastou de Mafra, mede 88,88 m (404 palmos) no sentido Norte-Sul, 24,20 m (110 palmos) no sentido nascente-poente e 9,46 m (43 palmos) de largura; a sua abóbada eleva-se à altura de 10,78 m (49 palmos), exceto no cruzeiro, onde atinge 13,20 m (60 palmos).

Ocorre apontar como possível inspirador do bibliotecário arrábido o nome do Bispo de Évora, Frei Manuel do Cenáculo Vilas Boas (reintrodutor do lulismo em Portugal), cuja atividade como organizador da biblioteca do Convento de Jesus, planeada em 1768 por Frei Manuel do Cenáculo, em colaboração com o arquiteto Joaquim de Oliveira (iniciada a 12 de Fevereiro de 1771 e concluída em 1800), segundo cânones idênticos, lhe não era decerto estranha, tal como as suas preocupações relativamente ao sistema da ciência (como diria Fichte) concebido por Raimundo Lúlio. A Arte luliana, tinha cultores em Mafra, circunstância rastreável nas Conclusões de Filosofia dos Reais Estudos de Mafra. Tratando-se de algo mais que um mero artifício dialético, ultrapassando em muito qualquer estrita metodologia do pensamento, a Arte luliana supõe um conjunto de estruturas sistémicas e escalonadas, encurtando o percurso para o conhecimento e facilitando o exercício intelectual. Suposta uma reta intenção, esta, a bem dizer, memória artificial exige aprendizagem e treino simultâneos, com o intuito de atribuir a cada conceito o lugar e a figura que lhe convêm. Para alcançar esse desiderato o praticante dispõe de uma tábua de 84 combinações ternárias, cada uma delas cabeça de 20 câmaras, num total de 1680 câmaras (84 x 20), curiosamente, apenas mais quatro que o número total de casas, ou prateleiras (536 + 1140 = 1676) da BPNM! No que concerne à arrumação das matérias, constata-se o jogo das polaridades e a harmonia dos contrários no seio da organicidade geral.

nota:[ver vitrina Instituições: Escola de Escultura de Mafra]