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Dom PEDRO V - (16.9.1837-11.11.1861)

Pedro de Alcântara Maria Fernando Miguel Rafael Gonzaga Xavier João António Leopoldo Vitor Francisco de Assis Júlio Amélio de Bragança. Primogénito de D. Maria II e do Príncipe consorte D. Fernando II. Casou, a 18 de maio de 1858, com D. Estefânia de Hohenzollern-Sigmaringen (15.7.1837-17.7.1859).

Faleceu em consequência de uma “febre maligna” contraída durante uma digressão pelo Alentejo. A D. Pedro V ficou Mafra a dever a criação de uma escola primária-modelo, na qual o monarca quis, de resto, com sucesso assinalável, ensaiar alguns dos ideais que acalentava no que concerne à instrução pública. O seu, como lhe chamava, “presepe de redenção intelectual das novas gerações”, foi precursor em muitos aspetos, não só metodológicos, como práticos, designadamente na utilização do quadro preto e do giz, bem como na adoção do sistema métrico decimal.

Dona ESTEFÂNIA
(15.7.1837-17.7.1859)
Estefânia de Hohenzollern-Sigmaringen. Filha do Príncipe Carlos António de Hohenzollern Sigmaringen e da Princesa Josefina Frederica Luísa, filha do Grão-duque de Baden. Casou com Dom Pedro V a 18 de maio de 1858, tendo falecido 14 meses após o enlace, vitimada por uma angina diftérica. Foi popularmente crismada como a Rainha-virgem, em virtude de uma indiscrição cometida pelo médico que autopsiou o seu cadáver, o Dr. Bernardino António Gomes, Lente da Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, sugerindo à Duquesa da Terceira que em vez do pequeno diadema que esta se aprestava para colocar na cabeça da defunta, providenciasse “uma capela de flores de laranjeira”.

Em diversas das cartas que enviava regularmente a sua mãe, a princesa Josefina Frederica de Baden, há referências a Mafra (cf. Júlio de Vilhena, Cartas Inéditas da Rainha D. Estefânia, Coimbra, 1922, p. 104, 136, 138-139, 149, 209-211, 236, 239). A Escola Real de Mafra mereceu-lhe os maiores encómios, conforme alguma da sua correspondência comprova. Numa carta remetida do Paço de Mafra, D. Estefânia informa sua mãe: “É de Mafra, a residência predileta do meu bem-amado Pedro, que vos escrevo […]” (XXIII, de 24 de agosto 1858, cf. Júlio de Vilhena, ob. cit., p. 138). Em outras duas cartas, refere-se a aspetos do quotidiano mafrense: numa (LXVIII), remetida do Paço da vila, em 30 de março de 1859, afirma: “Passei duas vezes, duas horas na escola de Pedro, que vai muito bem e onde as crianças se sentem maravilhosamente. Passei uma hora numa escola feminina que deixa muito a desejar, como todas as escolas portuguesas.

É preciso, antes de mais, educar as professoras”; noutra (LVI), datada de Lisboa, a 22 de junho, confessa que Mafra “começa a civilizar-se, graças ao Conde da Ponte e a mim” (cf. Júlio de Vilhena, ob. cit., p. 209-215 e 236).