Please enable JS

Vila Velha… novas histórias

No século XIX, Estácio da Veiga identificou diversos achados arqueológicos na “vila velha”, constituindo o primeiro levantamento arqueológico da vila de Mafra. Na sua obra “Antiguidades de Mafra” (1879) refere a presença de uma muralha em taipa na extremidade poente do Palácio dos Marqueses Ponte Lima, achados isolados (como um machado de pedra polida) e a existência de diversos silos na Rua das Tecedeiras (designados por este arqueólogo como tulhas).

Em 1997, iniciaram-se as primeiras intervenções arqueológicas sistemáticas em Mafra, com a escavação da necrópole medieval e moderna da Igreja de Santo André.

Volvidos 20 anos, em 2017, a construção da nova Unidade de Saúde, trouxe a possibilidade de escavar a denominada “Quinta da Cerca” (área pertencente ao Palácio dos Marqueses Ponte de Lima) e mudar para sempre o conhecimento sobre as origens desta vila. As investigações dos últimos anos permitiram aumentar a longevidade de Mafra.

Uma vila que se sabia medieval, passou a remontar (comprovadamente) à Idade do Bronze, com a descoberta de uma casa com 3000 anos (2017). A identificação de vestígios avulsos de materiais neolíticos e calcolíticos, parece indicar a presença de comunidades pré-históricas, no entanto não existem (ainda) dados suficientes para a corroborar.

Os momentos anteriores à ocupação romana (segunda Idade do Ferro) foram identificados em 2020, através da deteção de um forno situado na vertente a noroeste do Palácio dos Marqueses e, possivelmente, relacionado com um núcleo populacional que não foi encontrado, até ao momento. Na área anexa ao forno, foram identificadas estruturas murárias da Antiguidade Tardia (séc. V-VII).

Também o período medieval ficou enriquecido com estes últimos trabalhos, com a identificação (e escavação) de um vasto conjunto de silos, o que veio testemunhar a presença islâmica nesta terra, e a que Estácio da Veiga já tinha feito referência – as tulhas. Algumas encontradas exatamente onde ele as refere – a Rua das Tecedeiras – e outras identificadas numa área sem intervenções anteriores, provavelmente no exterior do casco antigo.

No entanto, ficou ainda por confirmar (arqueologicamente) a existência do Castelo de Mafra, tão referido nas fontes históricas.