D. Maria Anes de Aboim
Casada com D. João Fernandes de Lima. Mafra foi-lhes doada, em 9.1.1289, por D. Dinis, por escambo com Portel. Não tiveram descendência, tendo-lhes sucedido seu sobrinho-neto, D. Diogo Afonso de Sousa.
D. Diogo de Sousa († 18.11.1344)
Tendo falecido em Coimbra, a 18 de novembro de 1344, D. Diogo foi posteriormente transladado para a Igreja de Santo André. O seu mausoléu achava-se primitivamente na capela-mor, encostado à parede do lado direito (da Epístola), tendo sido transferido, em meados do séc. XIX, para debaixo do coro, junto à parede Sul (da Epístola). Após as obras da década de 1940, foi colocado onde ainda se vê, na nave Sul, à mão direita de quem entra pelo pórtico principal. A arca tem forma paralelepipédica (c. 2060 mm x h. 540 mm x pr. 670 mm), sendo rematada superiormente por uma faixa de folhagem estilizada e coberta por tampo prismático sem qualquer lavor. É guarnecida em três das faces por escudos heráldicos relevados com as armas dos Sousas de Arronches: esquartelado: no I e IV as quinas do reino com escudetes dos flancos apontados ao do centro; no II e III a caderna de crescentes. António Joaquim Moreira, que ainda viu o túmulo na capela-mor, regista a existência de um letreiro (inscrição obituária) na parede, sobre ele, do qual Estácio da Veiga já não encontrou vestígios em 1879. Segundo aquele antiquário era o seguinte o teor da lápide: "Aqui jaz D. Diogo de Souza, senhor que foy desta villa, e se passou em Coimbra aos 18 dias de novembro da era de 1382 [isto é, no ano de 1344]".
D. Violante Lopes Pacheco († 1365)
D. Violante foi filha de Lopo Fernandes Pacheco e de sua mulher D. Maria Gomes Taveira. Casou em segundas núpcias - porquanto já então era viúva de Martim Vasques da Cunha, 6º senhor da Tábua - com D. Diogo Afonso de Sousa. Sucedeu-lhe no senhorio de Mafra e Ericeira, do qual foi desapossada (1357), por ser irmã de um dos assassinos de Inês de Castro, e novamente nele empossada por D. Pedro I (27 de agosto de 1362). A sua arca tumular é em tudo semelhante à de seu marido. Apenas nos escudos heráldicos se regista diferença: na cabeceira as armas dos Sousas de Arronches, aos pés as caldeiras veiradas e contraveiradas dos Pachecos. Lateralmente, ao centro de novo o escudo dos Sousas de Arronches ladeado por dois dos Pachecos: de ouro, duas caldeiras de preto, três vezes faixadas de veiros de vermelho e ouro, com as asas veiradas do mesmo e serpentíferas, postas uma sobre a outra.
D. Branca de Sousa
Filha de D. Violante Lopes Pacheco e de D. Diogo Afonso de Sousa. Casou com D. Pedro Afonso, Conde de Barcelos. Herdou o Senhorio (17.4.1365), em virtude de o seu legítimo herdeiro, D. Álvaro Dias de Sousa, se achar omisiado em Castela por cumplicidade no assassínio de D. Inês de Castro.
D. Lopo Dias de Sousa
Irmão da anterior. Filho de D. Álvaro Dias de Sousa e de D. Maria Teles de Meneses, irmã da rainha D. Leonor Teles. A posse do Senhorio foi-lhe confirmada por D. Fernando I, em 1371. Sucedeu a D. Nuno Rodrigues no mestrado de Cristo, com apenas 12 anos de idade.
Leonor Lopes de Sousa
D. Lopo Dias de Sousa teve muitos filhos bastardos, entre os quais uma D. Leonor Lopes de Sousa, à qual, por dote de casamento com Fernão Martins Coutinho, doou Mafra, Ericeira e Enxara dos Cavaleiros, doação essa feita em 2 de março de 1393, posteriormente confirmada, em 1396, por carta de D. João I. Desse casamento nasceu D. Brites, ou Beatriz, Coutinho.
Afonso Vasques de Sousa
Até falecer (6 de março de 1426), conservou o Senhorio de Mafra, circunstância que originou longa demanda só resolvida em 1436, quando, por fim, se concretizou a partilha que, desde 1425, era exigida pelas enteadas.
D. Brites Coutinho
Filha de D. Leonor Lopes de Sousa e D. Fernão Martins de Coutinho. Casou no Paço de Sintra, por procuração, com D. Pedro de Meneses, 1º Conde de Vila Real e 2º de Viana, 1º Capitão-mor e Governador de Ceuta, sendo celebrante o Bispo de Maiorca, D. Frei Lourenço, e testemunhas os Infantes D. Duarte, D. Henrique e D. Fernando. Viajou para Ceuta ao encontro do cônjuge, onde terá desembarcado entre outubro e dezembro do mesmo ano. Do breve, mas feliz matrimónio com D. Pedro de Meneses, nascera D. Isabel Coutinho. Faleceu em Ceuta, tendo sido sepultada na igreja da Graça de Santarém. Muito abalado pela morte da sua terceira esposa, em 1430, D. Pedro de Meneses deixou de fazer a barba, descurando as suas obrigações enquanto governador de Ceuta, tornando-se necessária a intervenção de D. Duarte para o chamar à razão. O cadáver da capitoa (a dama do jacente) foi encontrado incorrupto.
D. Isabel Coutinho (1410-?)
Senhora de Mafra e de Enxara dos Cavaleiros. Casou com D. Fernando de Vasconcelos, Senhor do Morgado de Soalhães.
D. Afonso de Vasconcelos e Meneses (1441-1480)
1º Conde de Penela, filho dos anteriores. Casou com D. Isabel da Silva (?-1498), filha do 1º Conde de Abrantes.
D. João de Vasconcelos e Meneses (?-1543)
2º Conde de Penela, por Carta de 16.4.1481 [Chancelaria D. Afonso V: liv. 26, fl. 73]. O senhorio de Penela foi-lhe sucessivamente confirmado em 22.2.1482, 6.11.1497 e 24.9.1528. Foi Vedor da Fazenda, por Carta de 30.9.1527. Casou com D. Catarina de Noronha, ou d’Eça. No ano de 1513 partilhava o Senhorio de Mafra com D. João Fernandes de Sousa.
D. Afonso de Vasconcelos e Meneses (1575-?)
Filho dos anteriores. Casou com D. Sebastiana de Sá, ou de Macedo. D. Afonso de Meneses foi o primeiro mencionado e o único citado pelo nome, entre os “grandes do Reino”, na aclamação de D. Sebastião, em 1557. A animosidade relativamente à rainha D. Catarina (então regente na menoridade de D. Sebastião), aproximou-o do Infante D. Luís e do filho deste, D. António, Prior do Crato, favorecendo a sua adesão, pelo menos tácita, à resistência contra as pretensões de Filipe II e, consequentemente, ao episódio patriótico do Falso Sebastião da Ericeira.